01 Particulares

O seu elétrico não é um carro a gasolina com outra etiqueta

A maior parte das apólices trata-o como se fosse. A diferença não se vê no prémio — vê-se no dia do sinistro, na bateria, no cabo e no reboque.

1.1 O problema

Onde a apólice generalista perde o pé

Um veículo elétrico junta três coisas que a apólice-tipo não sabe separar: um carro, uma bateria que vale entre um terço e metade do carro, e um equipamento de carregamento que vive parte do tempo fora dele. Cada uma destas peças tem regime próprio — e é nas fronteiras entre elas que os sinistros se complicam.

A isto soma-se a fronteira mais mal compreendida de todas: a que separa a garantia do fabricante, o seguro e a responsabilidade de terceiros. A degradação natural da bateria é assunto de garantia. O incêndio é assunto de seguro. O curto-circuito provocado por uma instalação defeituosa feita por terceiros é responsabilidade civil de quem instalou. Três problemas parecidos, três portas diferentes — e quem bate à porta errada perde meses.

1.2 Coberturas

O que exigir numa apólice pensada para elétricos

  • Bateria identificada no contrato. Própria ou alugada, com o regime de indemnização claro. Se é alugada, a articulação com o contrato de locação tem de estar escrita.
  • Capital com curva de desvalorização realista — valor em novo nos primeiros 24 a 36 meses, ou tabela específica acordada à cabeça, em vez da curva herdada da combustão.
  • Cabo e carregador portátil (Modo 2) dentro da cobertura de furto, com capital identificado — não escondidos na categoria «objetos transportados».
  • Assistência com reboque de plataforma por esgotamento de bateria, com quilómetros definidos. Arrastar um elétrico pode danificar o comboio elétrico.
  • Danos elétricos próprios — sobretensões e curto-circuitos no sistema de alta tensão do veículo, incluindo durante o carregamento.
  • Wallbox tratada no sítio certo. O carregador fixo pertence ao seguro da casa, não ao do carro — mas alguém tem de verificar que está mesmo lá.

1.3 Comparação

Apólice-tipo vs. apólice pensada para elétricos

Comparação entre uma apólice generalista e uma apólice desenhada para veículos elétricos
Ponto de análise Apólice generalista típica Apólice desenhada para VE
Bateria de tração Indistinta do veículo; regime de aluguer ignorado Identificada, com regime de propriedade e indemnização definidos
Capital seguro Valor venal com curva de desvalorização da combustão Valor em novo 24–36 meses ou tabela específica
Cabo / carregador portátil «Objetos transportados», capital baixo, furto condicionado Cobertura de furto expressa, capital identificado
Assistência em viagem Falta de carga tratada como negligência; reboque limitado Reboque de plataforma por esgotamento, km definidos
Danos elétricos Exclusões genéricas de «avaria elétrica» Sobretensão e curto-circuito em carregamento contemplados
Franquias Iguais às da combustão, sem olhar ao custo de reparação real Ajustadas ao custo de peças e mão-de-obra de VE

A coluna da direita descreve o que se pede e negoceia — não o que qualquer seguradora oferece por defeito. É esse, precisamente, o trabalho de mediação.

1.4 Verificar hoje

Três verificações que pode fazer esta noite, com a apólice à frente

  • Procure a palavra «bateria». Se não aparecer nas condições particulares nem nas especiais, a peça mais cara do seu carro está a ser tratada como um para-choques.
  • Encontre a base do capital seguro. «Valor venal» à cabeça, sem período de valor em novo, é o cenário mais comum — e o mais caro em perda total.
  • Leia a assistência em viagem até à palavra «reboque». Veja até onde, em que condições, e se a falta de carga está escrita — ou apenas subentendida.

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